Autopeça
Certificação para catalisadores muda mercado de reposição
Maira Nascimento
O mercado de autopeças para reposição começa a sentir os primeiros reflexos da certificação compulsória. Por meio de normas de produção estabelecidas pela ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, o Inmetro, Instituto de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, está certificando itens selecionados pelo setor de autopeças cujo objetivo é estabelecer um padrão de qualidade a ser seguido pelo mercado. Os catalisadores foram os primeiros a passar pelo processo de normatização e certificação do instituto, obrigando fabricantes a mudar características das peças e processos produtivos e os varejistas a gerirem seus estoques de forma a não acumular peças sem a devida certificação porque as penalidades da comercialização das não certificadas recaem sobre eles.
Da data de publicação da portaria Inmetro 346/2008, outubro de 2008, até abril de 2010 os fabricantes e importadores tiveram de submeter seus produtos aos testes em laboratórios credenciados pelo instituto para garantir a devida certificação. Veja aqui a lista dos produtos certificados pelo Inmetro. A portaria estabeleceu abril de 2010 como data limite para que os fabricantes adaptassem seus produtos e passassem a fabricar apenas de acordo com as novas normas. Para os lojistas e reparadores o marco foi abril deste ano para que passassem a vender apenas peças com o selo do instituto.
A certificação compulsória de autopeças é uma reivindicação do setor de reposição desde que o mercado brasileiro passou a conviver com componentes de qualidade duvidosa de preços baixos e, portanto, mais atraentes do que as fabricadas aqui. Tanto fabricantes quanto representantes de entidades do setor de reposição, como Sindipeças, Andap, Sincopeças SP e Sindirepa SP, participam de todas as etapas de cada um dos processos de certificação das peças desde a elaboração das normas até os testes finais.
Para atender às novas normas investimentos e alterações do processo produtivo dos catalisadores foram feitos pelas fabricantes. Foi o que aconteceu na fábrica da Mastra em Limeira, SP. O processo de produção recebeu duas novas etapas, segundo Valdecir Rebelatto, gerente de engenharia e qualidade: "Investimentos foram feitos na ordem de R$ 600 mil na fábrica de Limeira para produzirmos os novos catalisadores".
Segundo ele as peças ganharam novas dimensões, menores do que as anteriores, e a concentração dos metais usados também foi reduzida, o que, "na prática, representou menor custo do produto para o consumidor final", já que são os metais usados nos catalisadores os responsáveis pela maior fatia do custo da peça, "sem alterar a eficiência do sistema".
A partir de abril, segundo estabeleceu a portaria, lojistas e reparadores seriam autuados e multados caso fossem alvo de fiscalização e tivessem em estoque as peças sem o selo do Inmetro. Segundo Francisco de La Torre, presidente do Sincopeças, Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo, esta informação foi amplamente divulgada. De La Torre também defende o processo: "A certificação é o melhor caminho para inibir produtos que não têm as mínimas especificações técnicas exigidas para garantir a qualidade. É uma forma também de impedir a importação de produtos falsificados que não atendem aos padrões de qualidade".
Assim que passou a fabricar os catalisadores com as novas especificações, a Mastra tratou de alertar seus distribuidores a respeito dos prazos previstos na lei. Uma das alternativas propostas pela empresa para ajudar o lojista a gerir os estoques foi a troca das peças sem o selo pelas certificadas: em 2010 foram oitocentas peças. Mesmo assim um catalisador Mastra sem a certificação foi apreendido na operação do Ipem SP. Segundo o gerente Rebelatto trata-se de uma peça fabricada em 2007.
Mesmo com toda a comunicação que entidades e fabricantes afirmam ter feito quanto à proibição da venda de peças não qualificadas e, principalmente, sobre prazos estabelecidos para o vigor da lei, alguns lojistas já foram autuados. Na primeira semana de junho o Ipem SP fez a primeira ação intensiva de fiscalização em lojas de autopeças e oficinas de troca de escapamentos na Capital. Em dois dias sessenta estabelecimentos foram fiscalizados e catorze autuados. Dos 1 mil 909 catalisadores inspecionados 62 estavam irregulares. Veja aqui os resultados da operação do Ipem-SP.
Valdir Volpe, diretor de metrologia e qualidade do Ipem SP, diz que a fiscalização é rotineira e que outra grande operação está sendo programada. Os lojistas terão de pagar multa que varia de R$ 100 a R$ 50 mil, dependendo do porte da empresa e da quantidade de peças apreendidas.
Para Valmir Linzmeyer, diretor da Tuper, fabricante de catalisadores, o mercado de reposição deverá ficar mais organizado com a certificação compulsória, e também garantir a segurança de qualidade aos consumidores. A Tuper passou pelo processo de certificação sem fazer alterações nos produtos, conta Linzmeyer, porque já atendiam às especificações adotadas.
Prevendo o aumento da demanda, por causa da proibição da venda de peças não certificadas, a Tuper aumentou a automação da produção para ampliar a capacidade instalada em 2010, mas não especifica quanto: "Já registramos alta de 20% em nossas vendas no mercado de reposição nesses dois últimos meses".
Atualmente a empresa produz de 250 mil a 300 mil catalisadores/mês destinados tanto ao mercado de reposição quanto ao fornecimento direto às fabricantes de veículos.
Ele acredita que a fiscalização reforça a qualidade do processo de certificação e espera que o comportamento do consumidor final também mude e que ele passe a exigir mais qualidade das peças.
Rodas serão as próximas autopeças a ser vendidas obrigatoriamente com o selo do Inmetro, o que acontecerá a partir de novembro de 2013, 36 meses após a publicação da portaria 445/2010. Bronzina, pistão, aros, molas, amortecedores, pastilhas, lonas, líquido de freio, espelhos retrovisores, rolamentos, faróis, lanternas, lâmpadas, cabos, bomba de combustível, líquido de aditivo do radiador do motor, correias, tubos e mangueiras, vidros e líquido para freio hidráulico também estão em processo de adaptação às normas.